Tuesday, March 23, 2010


Mina já fazia parte do prédio quando foi alugado para um salão de beleza;
ela surgia como se fora uma funcionária: acolhia abanando o rabo as clientes que chegavam e com alegria as acompanhava até a porta do salão.
Mina como todo vira latas se arranjava para comer e se defender. Quando o salão prosperou Manuel foi contratado como manobrista e Mina tornou-se sua melhor companheira, aquilo que faltava em simpatia no Mané, Mina completava com alegria. Um dia no meu caminho diário para o trabalho vejo Mané e toda mulherada do salão aos prantos: tinham furado um olho da Mina... dessas coisas que nenhum bicho faz. Só o bicho homem é capaz. Mina desapareceu de medo e de dor... e a rua ficou mais triste...
Hoje, um dia quente de sól me deu um grande presente: Mina veio me saudar como sempre fez na beira da rua como me convidando para permanentes e tinturas, rabo abanando, caolha mas generosa e alegre como se o mundo e a vida fossem a coisa mais linda de se ter.... e não é que é!!

1 comment:

Doris said...

Belo texto, Marcos. A leveza da vida está nesses detalhes que vc captura tão bem. Grande beijo